​Para a psicanálise, o que hoje chamamos amplamente de depressão não se reduz a um mero desequilíbrio químico ou a uma tristeza passageira. A clínica psicanalítica compreende o estado depressivo como uma resposta estrutural do sujeito diante de uma perda, de um conflito interno ou de um colapso na relação com aquilo que lhe dava sentido.

​Ao longo da história do movimento psicanalítico, diferentes teóricos mapearam as raízes desse sofrimento psíquico:

​O conflito entre o Eu e o Super-eu (Melancolia): Em seus escritos clássicos sobre o luto e a melancolia, Sigmund Freud observou que na melancolia a perda de um ente ou de um ideal querido é introjetada pelo próprio Eu. Em vez de chorar o objeto perdido no mundo externo, o indivíduo volta a agressividade contra si mesmo. O Super-eu (a instância julgadora da psique) passa a punir o Eu com severidade, gerando sentimentos profundos de culpa, desvalia e autoacusação.

​A Posição Depressiva (Melanie Klein): Para a psicanalista Melanie Klein, a experiência depressiva tem raízes no desenvolvimento infantil inicial. Por volta dos quatro meses de vida, a criança percebe que a mãe que acolhe é a mesma que se ausenta, integrando os aspectos "bons" e "maus" do objeto. Surge então a chamada angústia depressiva: o medo de ter danificado o objeto amado com seus próprios impulsos hostis, o que mobiliza o desejo de reparação. Na vida adulta, estados depressivos frequentemente reativam essa posição e a dificuldade de lidar com a ambivalência dos afetos.

​A Depressão Anaclítica: Descrita por René Spitz, manifesta-se pela privação do afeto e do cuidado materno nos primeiros meses de vida, resultando em um esvaziamento e retraimento do desenvolvimento motor e emocional da criança.

​Como a psicanálise aborda o quadro?

​Diferente de abordagens que buscam apenas eliminar o sintoma rapidamente, a psicanálise acolhe a dor depressiva para investigar a sua função no psiquismo. No consultório com uma psicóloga em Campinas, o processo de análise permite dar palavra àquilo que ficou cristalizado sob a forma de dor e apatia. Trata-se de reconstruir os laços de investimento com a vida, transformando a autopunição em elaboração e resgatando o desejo do sujeito