Mulheres esgotadas
Você já sentiu que está sempre mudando de papel para agradar ou atender às demandas de alguém? Seja no trabalho, na família ou nos relacionamentos, parece que a conta da emancipação feminina chegou na forma de uma cobrança invisível — e esmagadora.
No consultório, atendo diariamente mulheres que trazem uma queixa comum: um cansaço que não passa com uma noite de sono. Não se trata apenas de cansaço físico, mas de um esgotamento psíquico profundo.
Se na época de Freud a neurose feminina se manifestava pelas "seduzidas histéricas", a clínica contemporânea nos apresenta a mulher solitária e esgotada.
Muitas mulheres chegam à análise funcionando no modo automático, tentando performar perfeitamente em todas as áreas. O sofrimento surge quando percebem que essa engrenagem roda para satisfazer o desejo do outro (do parceiro, dos filhos, da empresa, da sociedade), enquanto os seus próprios desejos ficam em segundo plano ou são completamente esquecidos.
Fazer terapia ou análise não é sobre encontrar uma fórmula mágica para dar conta de tudo. Pelo contrário: é ter um espaço seguro para aprender a abrir mão do que não te pertence. No processo terapêutico, nosso objetivo é desconstruir essas amarras simbólicas. É permitir que você se pergunte:
O que eu realmente quero?
Quais limites preciso impor para preservar minha saúde mental?
Quem sou eu quando não estou apenas atendendo às expectativas dos outros?
Se você tem se sentido sobrecarregada por essa constante mudança de papéis, saiba que não precisa carregar esse peso sozinha. A análise é o caminho para redesenhar a sua história a partir do seu próprio desejo, e não do que esperam de você.
Gostou da reflexão?
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